Inglês é fundamental para quem quer fazer trabalho voluntário no exterior
- Jonas Barbetta de Souza

- 6 de ago. de 2025
- 4 min de leitura
Ajudar ao próximo vai além de se comunicar, mas ser fluente facilita na convivência diária com a população local e colegas de voluntariado
"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível". A frase atribuída a São Francisco de Assis (1181 ou 1182 - 3 de outubro de 1226) é antiga, mas ainda faz sentido para muitas pessoas quase 800 anos depois de sua morte.
Doenças, guerras ou injustiças sociais movem milhares de leigos e profissionais de diversas áreas a abandonarem os confortos de suas casas para viajarem, muitas vezes, milhares de quilômetros para ajudar quem está vivendo em meio ao desespero, sem ganhar qualquer remuneração em troca.
Dados da ONU - Organização das Nações Unidas - mostram que seu Programa de Voluntários (UNV), criado em 1971, já contou com mais de 30 mil participantes que de deslocaram ao redor do mundo para promover a paz e apoiar quem mais precisa. Hoje, o programa conta com aproximadamente 7.500 voluntários de 160 países.
Nascida na Noruega, Tine Andreassen Lopes chegou a São Paulo em 2003, acompanhando um colega que fazia um TCC - Trabalho de Conclusão de Curso - sobre as condições de crianças carentes ao redor do mundo. Ficou alguns dias no país, onde conheceu a realidade brasileira, e depois voltou para a Europa.
Passados alguns meses, acabou retornando ao Brasil, pois não conseguia parar de pensar na vida sofrida das pessoas que conheceu. Ao invés da capital paulista, decidiu viver em Feira de Santana (BA), na qual começou a aprender português. Posteriormente mudou-se para Mogi das Cruzes (SP) e o destino a levou a conhecer a cidade de Taubaté, distante 110 km, onde comprou uma área na zona rural da cidade e fundou o Projeto Håpet ("esperança" em norueguês). O que começou com poucas crianças sendo atendidas na sala de sua casa, hoje recebe mais de 100 assistidos anualmente.

Tine não veio ao Brasil pela ONU e sabia que pouquíssimos brasileiros falam inglês. Uma vez que chegou como voluntária, sabe que o idioma não é o fator principal para quem quer ajudar ao próximo, mas facilita quando uma pessoa passa a viver numa realidade tão diferente da qual estava acostumada.
"O inglês, para uma pessoa que pretende ser voluntária em outro país, é super importante, porque em outros países a maioria das pessoas fala o idioma. Quando os voluntários estrangeiros visitam o projeto e não falam português, eles sabem, por exemplo, que a criança está triste e quer conversar. Então eles sentem que não conseguem fazer totalmente o trabalho que gostariam de fazer, de se comunicar, ouvir e confortar", explica a fundadora do Håpet.

A professora Ana Paula Alves já fez parte do Håpet, onde ensinou espanhol gratuitamente aos assistidos. Já viajou o mundo todo sendo voluntária em mais de 10 países e teve que aprender o inglês para conviver e se comunicar com a população local de onde ela resolvia se estabelecer. Hoje, morando na Holanda, ela se lembra de algumas situações inusitadas de quando não era fluente.
"O que mais me deixava desconfortável era quando eu não entendia exatamente o que a pessoa estava falando, mas pela situação do momento, como algo que precisava ser resolvido rápido, por exemplo, eu 'fingia' que havia entendido e só dizia 'yes'", conta.

"Uma vez, enquanto eu estava fazendo o check-in das pessoas que iriam fazer uma aula num centro de yoga na Tailândia, fiz um grupo de 20 pessoas me esperar para uma aula de yoga que eu não iria fazer. A professora me perguntou se eu iria me juntar ('join', em inglês) a eles e eu disse que sim, mas continuei parada na porta da sala, pois eu havia entendido 'enjoy' ('aproveitando', 'curtindo', em inglês). Não entendi muito bem porque ela estava me perguntando isso naquele momento, mas imaginei que era algo sobre 'está curtindo seu trabalho voluntário aqui?'. Depois de alguns minutos vendo todo o grupo olhando pra mim com uma cara não muito feliz, eu me dei conta que algo não estava certo e saí. Depois que a aula acabou, esperei todos irem embora para ir organizar o espaço sem precisar olhar para a cara deles de novo. Eu estava com muita vergonha. Depois disso, aprendi que é sempre melhor pedir para repetir algo que você não tem certeza se entendeu", relembra com humor Ana Paula.
Como ser voluntário?
Para ser candidatar a uma vaga de voluntário na ONU, o interessado deve ser fluente em inglês, espanhol ou francês e inscrever-se diretamente no site da organização.
Para quem busca ajudar ao próximo localmente, o site do Atados oferece diversas oportunidades de trabalhos voluntários no Brasil.
Tem o desejo de ajudar ao próximo como voluntário ao redor do mundo? Clique aqui para inscrever-se agora no curso de inglês da teacher Nadia Mota e aprender como se comunicar bem com os as populações locais!




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